A Financial Conduct Authority do Reino Unido finalizou mudanças no reporte de transações sob o MiFIR, reduzindo de 65 para 52 o número de campos reportáveis. As regras revisadas devem entrar plenamente em vigor em 3 April 2028, e o regulador afirma que as mudanças podem reduzir os custos do setor em mais de £100 milhões por ano.
A FCA também estima que as empresas gastam atualmente £493 milhões por ano com reporte de transações. A reforma exclui do reporte britânico cerca de sete milhões de instrumentos negociados apenas em ambientes de negociação da UE e encerra o reporte duplicado de derivativos de câmbio sob o MiFIR. Para as equipes de tecnologia e operações, o trabalho se concentrará em identificar quais fluxos de dados, regras de validação e processos de reporte precisam mudar.
O que a FCA está mudando
A redução no número de campos significa que as empresas precisarão comparar seus resultados atuais de reporte com os requisitos de dados revisados, em vez de presumir que os mapeamentos existentes continuarão adequados. A FCA não especificou no material de origem quais campos individuais serão removidos. As empresas precisarão determinar quais registros internos alimentam os campos mantidos e em que casos uma mudança na definição dos dados exige um ajuste nos sistemas anteriores do fluxo.
A exclusão de instrumentos negociados exclusivamente em ambientes de negociação da UE muda o conjunto de instrumentos incluídos nos envios ao Reino Unido. As empresas devem verificar como seus sistemas identificam o ambiente de negociação e a elegibilidade dos instrumentos, e se esses atributos estão disponíveis de forma consistente nos sistemas de trading, dados de referência e reporte. O material de origem não informa como as empresas devem tratar instrumentos com informações incompletas ou conflitantes sobre o ambiente de negociação.
Para derivativos de câmbio, o fim do reporte duplicado sob o MiFIR deve levar a uma revisão do fluxo de reporte e dos controles que identificam envios duplicados. As empresas precisarão confirmar como o processo revisado do Reino Unido interage com os mecanismos de reporte existentes. A mudança na regra, por si só, não explica o que uma empresa deve fazer quando a mesma transação é registrada em mais de um sistema interno.
A correção de erros históricos também está mudando: o prazo máximo para corrigir erros de reporte anteriores passará de cinco anos para três. As equipes de operações devem verificar como esse prazo está refletido nas filas de exceções, nos procedimentos de escalonamento e nos registros de auditoria. O material de origem não estabelece nenhum novo requisito de retenção, portanto as empresas devem distinguir o prazo de correção de suas obrigações separadas de manutenção de registros.
Quais sistemas de reporte serão afetados
As mudanças dizem respeito às empresas que reportam transações sob o regime UK MiFIR. A FCA não detalhou os tipos de empresas afetados nem os volumes de reporte no material disponível aqui, por isso cada empresa precisará determinar seu próprio escopo. Essa avaliação deve incluir as entidades que enviam os reportes, os instrumentos abrangidos e os sistemas que fornecem os dados necessários.
A implementação não se limita a mudar um arquivo de saída. A FCA afirma que as empresas precisarão alterar os sistemas de reporte, a gestão de dados e os processos de validação. Um primeiro exercício útil é rastrear uma transação desde o registro de origem, passando pelo enriquecimento e pela validação, até o envio, e então identificar onde a contagem de campos, a elegibilidade dos instrumentos ou o tratamento de derivativos de câmbio alteram esse fluxo. As empresas podem adotar algumas disposições antes do início pleno do regime, mas o material de origem não especifica quais.
Quinn Perrott, co-CEO da TRAction, destacou o trabalho operacional necessário para se adaptar. As mudanças nas regras estiveram entre os desenvolvimentos regulatórios do Reino Unido abordados em um balanço semanal da Finance Magnates. As empresas que planejam a implementação precisarão decidir quem será responsável pelas mudanças nos mapeamentos, como as validações revisadas serão testadas e como serão mantidas as evidências do novo processo.
A questão da integração
Para os responsáveis pela infraestrutura, a questão central é se a pilha de reporte consegue distinguir os registros afetados por cada reforma sem interromper outros envios. Isso significa verificar as conexões entre os dados de referência de instrumentos, as informações sobre ambientes de negociação, os fluxos de derivativos de câmbio e o mecanismo de reporte de transações. A estimativa de custos da FCA descreve uma oportunidade para todo o setor, não o custo ou a economia de uma empresa específica.
Antes da implementação, as empresas devem perguntar aos fornecedores e às equipes internas quais interfaces mudarão, se as correções históricas serão tratadas de outra forma e como será apoiada a adoção antecipada. A data de 3 April 2028 definida pela FCA estabelece um prazo para as empresas, mas o material de origem não fornece uma especificação técnica nem um cronograma de migração. Esses detalhes determinarão quanto trabalho será necessário em configuração, correção de dados e testes.
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